"A educação é incompatível com a pressa. O tempo da alma é vagaroso. não gosto de visitar museus em que uma multidão me obriga a andar. O prazer que sinto num museu diante de um quadro não é estético.É existencial. Sinto a emoção de saber que estou bem próximo da superfície que foi tocada pelo pincel do pintor. Sinto-me assim, perto dele. É uma experiência de comunhão: estamos próximos, partilhando um mesmo pequeno espaço. A experiência estética, o encantamento diante da pintura, eu a tenho em casa, assentado, admirando a reprodução da tela que se encontra num livro. A admiração exige tempo. Não se admira correndo. Ninguém que me apresse. Demora um pouco pra que a tela acorde, tome consciência de que estou perto dela e comece a me tocar. Desde que a pressa se instala, a alma se recolhe e somos projetados na voragem do tempo exterior."
Rubem Alves
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